Crônica de um Ano Decisivo: O Xadrez Político do 1º Trimestre de 2026

Por redação, Brasília, 14 de janeiro de 2026

O ano mal começou e o clima nos corredores do poder em Brasília já não lembra em nada o habitual marasmo de janeiro. O primeiro trimestre de 2026 desenha-se como um dos períodos mais frenéticos da história política recente, impulsionado por uma combinação explosiva: a contagem regressiva para as eleições gerais de outubro, o retorno antecipado das articulações legislativas e uma economia que tenta se equilibrar entre o controle da inflação e o apelo popular pelos gastos sociais.

1. O Despertar Antecipado do Congresso

Tradicionalmente, os trabalhos legislativos retomam o ritmo apenas após o Carnaval. Em 2026, porém, a agenda está “comprimida”. Com a proximidade do pleito, deputados e senadores sabem que o tempo para aprovar projetos de impacto é curto — o “esforço concentrado” deve se limitar ao primeiro semestre.

  • Pautas de Peso: Temas como a regulamentação da Inteligência Artificial e o marco legal dos trabalhadores por aplicativos estão no topo da lista.
  • Segurança Pública: Após um 2025 focado em inteligência e descapitalização de facções, o governo tenta agora consolidar vitórias legislativas na área para neutralizar um dos principais discursos da oposição.

2. O Cenário Eleitoral: Lula e o “Fator Bolsonaro”

A política brasileira vive sob a sombra das urnas. O primeiro trimestre marca o período de definições cruciais de candidaturas e federações.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora ainda não oficializado, lidera as intenções de voto em um cenário de polarização persistente. Do outro lado, a direita se reorganiza. Com Jair Bolsonaro inelegível e condenado, o nome do senador Flávio Bolsonaro ganha força, consolidando-se como o herdeiro direto do capital político do pai. Governadores como Tarcísio de Freitas e Ratinho Júnior também movimentam as peças, ora como aliados, ora como alternativas de “centro-direita” para o eleitorado menos ideológico.

3. Economia: O Equilíbrio de Jatos e Freios

No Ministério da Fazenda, o desafio é hercúleo. O governo entra em 2026 com a meta de manter o equilíbrio das contas públicas enquanto sofre pressão interna para elevar gastos sociais — uma “receita” tradicional de anos eleitorais.

IndicadorPerspectiva para o 1º Trimestre
Taxa SelicExpectativa de manutenção ou início de cortes lentos apenas em março.
InflaçãoPressionada por itens básicos como alimentos e combustíveis.
PIBProjeção de crescimento moderado, em torno de 2,2% a 2,3%.

A relação entre o Palácio do Planalto e o Banco Central continua sob os holofotes, com o mercado financeiro monitorando cada sinalização de corte nos juros, que hoje ainda castigam o custo do crédito e o consumo das famílias.


O Que Esperar de Fevereiro e Março?

As próximas semanas serão marcadas pela definição das janelas partidárias e pelo termômetro das ruas. A desaprovação do governo, que oscila na margem de erro com a aprovação em pesquisas recentes (como a Genial/Quaest de janeiro), obriga o Planalto a focar em entregas rápidas na economia e na segurança para chegar ao segundo trimestre com fôlego.

Para o cidadão comum, o 1º trimestre de 2026 não é apenas o início de um ano, mas o prólogo de uma disputa que definirá os rumos do Brasil até o final da década. Como dizem nos bastidores de Brasília: “Em 2026, o ano não começa depois do Carnaval; ele já começou antes do Réveillon”.

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