Poder e Convergência: O Novo Tabuleiro Político do Acre para 2026

Por Hailton L. Aiala

RIO BRANCO – O cenário político acreano entra em 2026 sob a égide da sucessão e da reorganização estratégica de forças. Com o governador Gladson Cameli (PP) impedido de buscar a reeleição, o estado se torna um campo fértil para alianças que buscam ocupar o vácuo no Palácio Rio Branco e as duas cobiçadas cadeiras no Senado Federal.

Abaixo, detalhamos a convergência das principais peças deste tabuleiro, fundamentada nos levantamentos e movimentações de fevereiro de 2026.

A Corrida pelo Palácio Rio Branco: Alan Rick no Republicanos

O executivo estadual é o epicentro das movimentações. Atualmente, o senador Alan Rick (Republicanos) desponta como o favorito nas pesquisas de intenção de voto. Sua migração para o Republicanos consolidou uma base sólida ligada a setores conservadores e evangélicos, posicionando-o como a principal força de oposição interna ao grupo atual.

No entanto, o caminho apresenta variáveis críticas:

Mailza Assis (PP): A atual vice-governadora deve assumir o comando do estado em abril, com a renúncia de Gladson para o Senado. Ela representa a continuidade da máquina pública e busca viabilizar sua permanência através de entregas diretas nos municípios.

Tião Bocalom (PL): O prefeito de Rio Branco, fortalecido pela reeleição na capital, é o nome natural da ala bolsonarista raiz, podendo dividir o eleitorado de direita com Alan Rick.

Marcus Alexandre (MDB) ou Jorge Viana (PT): O campo progressista ainda define se lançará nomes próprios ou se fará uma composição técnica para tentar retomar o protagonismo perdido nas últimas décadas.

A Batalha pelo Senado: Duas Vagas e Muitos Caciques

Em 2026, o eleitor escolherá dois representantes para a Câmara Alta, o que transforma a disputa em um “funil” de lideranças:

Gladson Cameli (PP): É o nome mais forte para uma das vagas. Sua saída do governo é um movimento calculado para manter seu capital político em Brasília.

Sérgio Petecão (PSD) e Márcio Bittar (PL): Ambos lutam pela sobrevivência política na tentativa de reeleição, enfrentando o desgaste natural de mandatos longos.

Mara Rocha (Republicanos): Pode surgir como uma opção de renovação feminina na chapa de Alan Rick, aproveitando a força da nova legenda.

Legislativo: O Hilemorfismo do Caráter Político

Na Câmara Federal (8 vagas) e na ALEAC (24 vagas), o foco está na “janela partidária”. A matéria (o voto popular) busca a forma (o partido) que garanta sobrevivência.

  • Deputados Federais: Nomes como Coronel Ulysses (União) e Roberto Duarte (Republicanos) articulam bases para manter a bancada federal influente junto ao orçamento da União.
  • Assembleia Legislativa: A ALEAC serve como o termômetro das prefeituras. O apoio dos deputados estaduais é o principal ativo de troca para os candidatos ao governo.

Sentido Lógico: O rastro racional deixado pelos movimentos de Alan Rick indica uma busca por autonomia institucional ao sair do União Brasil. A política acreana não é apenas uma disputa de nomes, mas uma convergência de ciclos de poder que tentam se auto-preservar.


Tabela de Correlação de Forças (Projeção 2026)

CargoProtagonistaPartidoStatus de Convergência
GovernadorAlan RickRepublicanosFavoritismo e Autonomia
GovernadoraMailza AssisPPManutenção da Máquina
Senado (Vaga 1)Gladson CameliPPTransição de Poder
Senado (Vaga 2)Jorge VianaPTResistência e Retorno

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